“Profeta” significa literalmente "aquele que fala antes" ou "aquele que fala em nome de alguém". No contexto bíblico, porém, um profeta é um porta-voz divino, motivo pelo qual Mateus 1:22 enfatiza que o profeta não falou por ele mesmo, mas “da parte do Senhor”. Nesse caso específico, trata-se do profeta Isaías (Is 7:14).
Embora muitos imaginem que um profeta seja alguém que somente prediz eventos futuros, o exercício do dom profético não se restringe a predições. Certas passagens do Novo Testamento revelam que qualquer irmão que esteja trazendo uma palavra de edificação, exortação ou consolação para a igreja também exercia o dom profético. No entanto, “profeta” não se tratava de um título, mas de uma designação para quem estivesse trazendo qualquer palavra da parte de Deus para a igreja, embora essa palavra nem sempre fosse alguma predição.
“O que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação [...] para a edificação da igreja. [...] E falem dois ou três profetas, e os outros juguem. [...] Porque todos podereis profetizar, uns depois dos outros; para que todos aprendam, e todos sejam consolados.” 1 Coríntios 14:3,12b,29,31
O julgamento mencionado na passagem acima refere-se ao cuidado que os irmãos devem exercer não aceitando qualquer palavra que esteja contradizendo a doutrina de Cristo (2Jo 8,9; Jd 3,4).
O livro de Atos dos Apóstolos menciona profetas (At 11:27; 13:1; 15:32), referindo-se, provavelmente, aos que pregavam a palavra de Deus nas congregações – o que também parece confirmar-se nas epístolas (1Co 14:29; Ef 4:11). A única referência em Atos de alguém mencionado como profeta e fazendo predições, diz respeito a Ágabo (At 11:27s; 21:10). Ele deve ter sido um pregador da palavra a quem, eventualmente, Deus também usava dessa forma, predizendo algo importante para a igreja.
Jesus alertou que após a sua partida surgiriam muitos falsos profetas, operando grandes sinais, e que enganariam a muitos (Mt 24:11,24). Mas também nos ensinou a identificá-los: não por suas palavras, que podem ser falsas, mas por seus frutos – isto é, se eles praticam, ou não, os ensinamentos de Cristo (Mt 7:15-27). A Epístola a Tito faz referência a um falso profeta, o qual fingia ser convertido, e que, motivado por ganância, ensinava nas casas o que não convém (Tt 1:10-12). Lembremos que, naquela época, as reuniões cristãs ocorriam nas casas.