1. Sentido Básico
• Χριστός vem do verbo χρίω (chrió) = “ungir”.
• Significa literalmente “ungido”, sendo o equivalente grego ao hebraico מָשִׁיחַ (Mashíah, Messias).
• No contexto judaico, o “ungido” era tipicamente o rei, às vezes também sacerdote ou profeta (cf. 1Sm 10:1; Sl 2:2).1
• No Novo Testamento, o termo é aplicado a Jesus de Nazaré como aquele que cumpre a expectativa messiânica.
2. Usos no Novo Testamento com nuances distintas
a) Título Messiânico
• João 1:41 – “Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo).”
Aqui “Cristo” é simplesmente a tradução grega de Messias.
• Mateus 16:16 – “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”
Confissão que identifica Jesus como o Messias prometido, em paralelo com sua filiação divina.
• 1 Coríntios 1:1 – “Paulo... chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo.”
• Romanos 1:1 – “Paulo, servo de Jesus Cristo...”
Aqui a fórmula “Jesus Cristo” já funciona de modo nominal, como se Cristo fosse o sobrenome de Jesus.
• Gálatas 2:20 – “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.”
Cristo aqui não é apenas uma pessoa histórica, mas a realidade espiritual que habita no crente.
• Colossenses 1:27 – “Cristo em vós, a esperança da glória.”
Cristo não apenas como presença interior, mas também o fundamento escatológico da esperança.
• 1 Coríntios 12:27 – “Vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular.”
• Efésios 4:15 – “Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”.
Nas duas referências acima, a Igreja é identificada como sendo o corpo de Cristo, do qual ele é a cabeça, ou seja, o único líder.
• Filipenses 2:11 – “...e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.”
A realeza messiânica é aqui elevada à categoria de senhorio universal.
• Apocalipse 11:15 – “O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo.”
Título real, associado à consumação escatológica.
3. Nuances de Cristo no NT
O termo Cristo evoluiu no Novo Testamento, de um título messiânico ligado ao judaísmo para uma realidade espiritual divina que fundamenta a vida da Igreja. Vejamos alguns exemplos que revelam a abrangência do termo:
1. Tradução de “Messias”
(Jo 1:41).
2. Título messiânico oficial
(Mt 16:16).
3. Segundo nome para Jesus
(Rm 1:1).
4. Realidade espiritual
(Gl 2:20; Cl 1:27).
5. Rei e Senhor universal
(Fp 2:11; Ap 11:15).
Conclusão
Ao observarmos os diferentes usos de “Cristo” no Novo Testamento, entendemos que ele não é apenas o Messias esperado, mas também o Senhor vivo que reina e habita em seu povo. Cada nuance reforça que Jesus é suficiente para nossa fé: o Ungido prometido, o Salvador presente e o Senhor que conduz sua Igreja até a plena esperança da glória.Escrito por Alan Capriles
Atualizado em 30/09/2025