CRISTO
Grego: Χριστός (Christós) | Strong: G5547.
536 ocorrências, sendo a primeira em Mt 1:1.

No estudo do Novo Testamento, poucas palavras possuem tanta importância quanto o termo “Cristo” (Χριστός, Christós). Mais do que um simples título, ele concentra a esperança messiânica de Israel, a identidade histórica de Jesus de Nazaré e, ao mesmo tempo, uma realidade espiritual que se manifesta na vida da Igreja. Traduzindo o hebraico Mashíah (Messias, “ungido”), o termo vai ganhando profundidade nos escritos neotestamentários: em alguns contextos aparece como título oficial, em outros é usado quase como parte do próprio nome de Jesus, e em passagens mais desenvolvidas assume o sentido de Senhor exaltado, presente no meio de seu povo e fundamento da salvação. A seguir, veremos como o Novo Testamento emprega “Cristo” em diferentes nuances, desde a identificação do Messias davídico até a revelação do Senhor ressuscitado que reina e habita entre os fiéis.

1. Sentido Básico

Χριστός vem do verbo χρίω (chrió) = “ungir”.
• Significa literalmente “ungido”, sendo o equivalente grego ao hebraico מָשִׁיחַ (Mashíah, Messias).
• No contexto judaico, o “ungido” era tipicamente o rei, às vezes também sacerdote ou profeta (cf. 1Sm 10:1; Sl 2:2).1
• No Novo Testamento, o termo é aplicado a Jesus de Nazaré como aquele que cumpre a expectativa messiânica.


2. Usos no Novo Testamento com nuances distintas

a) Título Messiânico
Cristo é usado como título oficial, destacando Jesus como o esperado libertador davídico:

João 1:41 – “Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo).”
Aqui “Cristo” é simplesmente a tradução grega de Messias.
Mateus 16:16 – “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”
Confissão que identifica Jesus como o Messias prometido, em paralelo com sua filiação divina.

b) Nome Próprio (quase como sobrenome)
Com o tempo, “Cristo” deixa de ser apenas título e passa a funcionar quase como parte do nome de Jesus:

1 Coríntios 1:1 – “Paulo... chamado pela vontade de Deus para ser apóstolo de Jesus Cristo.”
Romanos 1:1 – “Paulo, servo de Jesus Cristo...”
Aqui a fórmula “Jesus Cristo” já funciona de modo nominal, como se Cristo fosse o sobrenome de Jesus.

c) Cristo como Realidade Espiritual
Nos escritos paulinos, “Cristo” adquire uma dimensão mais profunda e espiritual:

Gálatas 2:20 – “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.”
Cristo aqui não é apenas uma pessoa histórica, mas a realidade espiritual que habita no crente.
Colossenses 1:27 – “Cristo em vós, a esperança da glória.”
Cristo não apenas como presença interior, mas também o fundamento escatológico da esperança.
1 Coríntios 12:27 – “Vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular.”
Efésios 4:15 – “Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”.
Nas duas referências acima, a Igreja é identificada como sendo o corpo de Cristo, do qual ele é a cabeça, ou seja, o único líder.

d) Cristo como Rei e Senhor

Filipenses 2:11 – “...e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.”
A realeza messiânica é aqui elevada à categoria de senhorio universal.
Apocalipse 11:15 – “O reino do mundo passou a ser de nosso Senhor e do seu Cristo.”
Título real, associado à consumação escatológica.


3. Nuances de Cristo no NT

O termo Cristo evoluiu no Novo Testamento, de um título messiânico ligado ao judaísmo para uma realidade espiritual divina que fundamenta a vida da Igreja. Vejamos alguns exemplos que revelam a abrangência do termo:

1. Tradução de “Messias”
   (Jo 1:41).
2. Título messiânico oficial
   (Mt 16:16).
3. Segundo nome para Jesus
   (Rm 1:1).
4. Realidade espiritual
   (Gl 2:20; Cl 1:27).
5. Rei e Senhor universal
   (Fp 2:11; Ap 11:15).


Conclusão

Ao observarmos os diferentes usos de “Cristo” no Novo Testamento, entendemos que ele não é apenas o Messias esperado, mas também o Senhor vivo que reina e habita em seu povo. Cada nuance reforça que Jesus é suficiente para nossa fé: o Ungido prometido, o Salvador presente e o Senhor que conduz sua Igreja até a plena esperança da glória.

Nota

1. A unção, nos escritos do Antigo Testamento, referia-se ao azeite derramado sobre a cabeça de sacerdotes (Ex 28:41; 29:7), reis (Jz 9:8; 1Sm 10:1; 2Sm 2:4; 1Rs 1:34) e até profetas (1Rs 19:16), simbolizando o chamado de Deus, e o “derramar” do seu Espírito para o exercício dessas funções. Passagens do Novo Testamento revelam que no tempo de Jesus os israelitas tinham a expectativa do surgimento daquele que seria “o Ungido”, especificamente falando; ou seja, um judeu escolhido por Deus para restaurar o reino a Israel (Mt 2:4-7; Jo 1:41,49; 4:25,29; Atos 1:6) e assumindo, ao mesmo tempo, as prerrogativas de rei, sacerdote e profeta. O aguardado Cristo, ou messias, também era chamado de Filho de Deus (Mt 16:16; 26:63; Mc 14:61; Lc 4:41; Jo 6:69; 11:27) e Filho de Davi, devido às profecias de que ele seria da linhagem do rei Davi.

Escrito por Alan Capriles
Atualizado em 30/09/2025

Sobre o autor: Alan Capriles é um seguidor de Cristo sem rótulo denominacional, pesquisador independente do Novo Testamento e da história do cristianismo. Dedica-se a ensinar o evangelho e a compartilhar gratuitamente suas pesquisas, sem vínculo institucional e com respeito a todas as denominações. Ele agradece qualquer forma de apoio para que possa continuar se dedicando integralmente às pesquisas, ao compartilhamento de suas descobertas e ao auxílio gratuito àqueles que desejam congregar de maneira simples e edificante em Cristo.
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