PUBLICANO
Grego: τελώνης (telṓnēs) | Strong: G5057
22 ocorrências: Mt 5:46,47; 9:10,11; 10:3; 11:19; 18:17; 21:31,32; Mc 2:15,16; Lc 3:12; 5:27,29,30; 7:29,34; 15:1; 18:10,11,13; 19:2*.
* Em Lucas 19:2 o grego é ἀρχιτελώνης (architelṓnēs) que se trata da junção de ἀρχι (archi – prefixo que significa "principal") + τελώνης (telṓnēs) o que significa tratar-se, ou de um “chefe de publicanos” ou de um publicano principal.

Um “publicano” tratava-se de um judeu que cobrava impostos do seu povo a serviço do império romano. Quem se propunha a exercer tal ofício sabia que teria o desprezado de seus compatriotas. Porém, o que atraia um judeu a se tornar publicano era a possibilidade de enriquecimento rápido, pois os publicanos podiam acrescentar sobretaxas ao tributo romano, cujo valor de acréscimo eles próprios estipulavam e retinham para si (Lc 3:12-13).1 Sendo assim, os publicanos eram incluídos pelos judeus na categoria de “pecadores” – não apenas por causa da extorsão que praticavam, mas também pelo contato com os gentios, o que lhes tornava impuros e impedidos de participar das cerimônias religiosas judaicas.

Há dois publicanos cujos nomes foram citados no Novo Testamento, e que tiveram suas vidas transformadas após conhecerem Jesus. O primeiro deles foi Mateus, ou Levi, o qual abandonou a cobrança de impostos logo após ser chamado por Cristo para segui-lo, sendo posteriormente escolhido para ser um dos doze apóstolos (Mt 9:9; 10:3; Mc 2:14; Lc 5:27). O outro foi Zaqueu, um dos principais publicanos de Jericó, ou talvez um chefe sobre aqueles publicanos, mas com quem Jesus quis se hospedar – atitude que escandalizou a muitos, mas que resultou na conversão daquele homem (Lc 19:1-10).

Ao contrário da maioria dos judeus, Jesus não desprezava os publicanos, mas até permitia que tomassem lugar à mesa com ele e seus discípulos (Mt 9:10; Mc 2:15; Lc 5:29; 15:1-2), sendo por isso acusado de ser amigo de pecadores2 (Mt 11:19; Lc 7:34; 15:1). No entanto, a intenção de Jesus era conduzi-los ao arrependimento (Mt 9:11-13; Mc 2:16-17; Lc 5:30-32; 15:1-7), o que não significava ter que deixar de trabalhar como publicano, mas apenas que não fossem corruptos, cobrando além do devido (Lc 3:12-13).

Jesus elogiou os publicanos por eles terem se arrependido com a pregação de João Batista (Mt 21:32; Lc 7:29-30) – humildade que foi contrastada com a arrogância dos hipócritas na “parábola do fariseu e do publicano” (Lc 18:9-14).


Notas

1. “Eles eram judeus trabalhando para os suseranos romanos (ou para o rei manipulado por Roma, Herodes Antipas) e viviam de coletar mais do que os impostos necessários e embolsar a diferença. Sem dúvida eles quase sempre levavam uma vida boa. Foi devido à sua ganância e extorsão para com seus compatriotas judeus, bem como por servir ao odiado Império Romano, que eles eram rejeitados.” BAUCKHAM, Richard. JESUS: uma breve introdução. 1ed. Campinas, SP: Aldersgate, 2022, p.60.

2. "Os 'pecadores' eram párias sociais. Qualquer pessoa, que por qualquer motivo se desviasse da lei e dos costumes tradicionais da classe média (os educados e os virtuosos, os escribas e os fariseus), era tratada como inferior, como classe baixa. Os pecadores eram uma classe social bem definida, a mesma classe social dos pobres no sentido mais amplo da palavra. Eles teriam incluído aqueles que tinham profissões pecaminosas ou impuras: prostitutas, coletores de impostos (publicanos), ladrões, pastores, usurários e jogadores. Os coletores de impostos eram considerados velhacos e ladrões, porque sua profissão dava-lhes o direito de decidir a quantia de imposto ou taxa que devia ser paga, e o direito de incluir alguma comissão para si próprios. Muitos dentre eles eram, sem dúvida, desonestos. De modo semelhante, suspeitava-se que os pastores conduziam seus rebanhos para as terras de outras pessoas, e que furtavam o produto do rebanho, o que, sem dúvida, era também muitas vezes verdade. Estas e outras profissões, portanto, carregavam consigo um estigma social." NOLAN, Albert. JESUS ANTES DO CRISTIANISMO. 1ed. São Paulo: Paulus, 1987, p.42.

Autor: Seguidor de Cristo sem rótulo denominacional, pesquisador independente do Novo Testamento e da história do cristianismo, autodidata, dedicado a ensinar o evangelho e compartilhar meus conhecimentos gratuitamente, sem qualquer barreira e influência institucional. Porém, não sendo assalariado, admito necessitar de ajuda para prosseguir nessa missão, seja para realizar viagens missionárias de apoio a congregações, seja para investir na compra de livros e equipamentos para melhoria na gravação dos vídeos de ensino. Sendo assim, agradeço muito se puder apoiar o meu trabalho, seja com uma doação pontual ou mensal. Assim poderei continuar me dedicando a pesquisar e compartilhar minhas descobertas, bem como as conclusões a que tenho chegado. Imensa gratidão!
  • Doação mensal: Apoia-se
  • Doação pontual ou mensal:
    Chave Pix:
alancapriles@gmail.com
         


A DEUS TODA GLÓRIA