Grego: πρεσβύτερος (presbýteros) | Strong: G4245
66 ocorrências: Mt 15:2; 16:21; 21:23; 26:3,47,57; 27:1,3,12,20,41; 28:12; Mc 7:3,5; 8:31; 11:27; 14:43,53; 15:1; Lc 7:3; 9:22; 15:25; 20:1; 22:52; Jo 8:9; At 2:17; 4:5,8,23; 6:12; 11:30; 14:23; 15:2,4,6,22,23; 16:4; 20:17; 21:18; 23:14; 24:1; 25:15; 1Tm 5:1,2,17,19; Tt 1:5; Hb 11:2; Tg 5:14; 1Pe 5:1; 5:5; 2Jo 1:1; 3Jo 1:1; Ap 4:4,10; 5:5,6,8,11,14; 7:11,13; 11:16; 14:3; 19:4.O termo grego πρεσβύτερος (presbýteros) deriva do comparativo de πρέσβυς (présbys), que significa “homem idoso”, “ancião”, “veterano”. Nos escritos do Novo Testamento esse termo é usualmente apresentado em português de duas formas:
• Traduzido como ancião: quando se refere aos líderes comunitários judeus não cristãos;
• Transliterado como presbítero: quando se refere aos discípulos mais antigos e influentes nas congregações cristãs.
Sentido neotestamentário
Durante o período retratado no Novo Testamento, os anciãos (πρεσβύτερος, presbýteros) eram os judeus mais respeitados e influentes das comunidades locais, exercendo liderança civil, social e religiosa A instituição dos anciãos antecede a própria sinagoga, remontando às estruturas tribais de Israel, onde os zaqenim (anciãos) atuavam como representantes dos clãs e conselheiros oficiais do povo.1 No período do Segundo Templo2, esses anciãos formavam conselhos locais que participavam da administração comunitária e da aplicação da Lei, tornando-se também figuras influentes na vida sinagogal. Ainda que a sinagoga possuísse funções específicas — como o archisynagogos (chefe da sinagoga: Mc 5:22,35,36,38; Lc 8:49; 13:14; At 13:15; 18:8,17) e o hazzan (assistente – em grego ὑπηρέτης, hypēretēs: Lc 4:20) — os anciãos exerciam autoridade decisória, disciplinar e representativa, funcionando como um corpo colegiado responsável pelo bem-estar e pela ordem da comunidade.3 Por isso, no século I, é correto afirmar que os anciãos eram os judeus de maior prestígio e influência, cuja voz tinha peso na condução tanto da vida civil quanto religiosa, incluindo os assuntos da sinagoga.Anciãos versus Jesus Cristo
Os anciãos (πρεσβύτερος, presbýteros) tiveram papel decisivo na condenação de Jesus. Nos evangelhos, eles aparecem repetidamente como parte da liderança judaica que se opôs a Cristo ao lado dos principais sacerdotes e escribas. Embates anteriores já revelavam hostilidade crescente: os anciãos questionam a autoridade de Jesus em Marcos 11:27–33, Mateus 21:23, Lucas 20:1–2, e participam de complôs para prendê-lo (Mateus 26:3–4; Marcos 14:1). Durante o julgamento, os anciãos integraram o Sinédrio que condenou Jesus por suposta blasfêmia (Mateus 26:57, 59; Marcos 14:53, 55; Lucas 22:66). Após isso, os principais sacerdotes e os anciãos entregaram Jesus a Pilatos (Mateus 27:1–2; cf. 27:12). Em Mateus 28:11–15, foram anciãos que subornaram os soldados para difundir a falsa versão de que o corpo de Jesus teria sido roubado.Anciãos versus discípulos de Cristo
No livro de Atos, os anciãos agora se opõem aos seguidores de Cristo. Em Atos 4:5-8, Pedro e João são levados perante o Sinédrio, composto por principais sacerdotes, escribas e anciãos; o mesmo ocorre em Atos 6:12, onde anciãos participam da prisão de Estêvão, levando-o à morte em Atos 7. Em Atos 23:14-15, um grupo de judeus faz um complô contra Paulo e procura os “principais sacerdotes e os anciãos” para obter apoio. Embora as epístolas não descrevam confrontos diretos com anciãos, Paulo frequentemente menciona perseguições vindas de seus compatriotas (ex.: 1 Tessalonicenses 2:14-16), o que pressupõe a continuidade da oposição das autoridades judaicas — entre elas os anciãos.Anciãos convertidos a Cristo
A primeira referência no Novo Testamento a anciãos convertidos a Jesus ocorre em Atos 11:30, quando os apóstolos Barnabé e Saulo entregam a eles o socorro arrecadado em Antioquia para os irmãos que habitavam na Judeia. É provável que esses anciãos fossem líderes de comunidades judaicas que haviam se convertido a Cristo, mas que continuaram sendo tratados como presbýteros pelos demais judeus cristãos. Na sequência, em Atos 14:23, percebemos que os mesmos apóstolos decidiram eleger anciãos em cada congregação que se formou ao longo da viagem missionária que fizeram. Isso demonstra que eles seguiram o modelo sinagogal com o qual estavam habituados — modelo que certamente era adotado pelos irmãos em Jerusalém, pois em Atos 15 os anciãos são mencionados junto aos apóstolos para deliberar assuntos da igreja (At 15:2,4,6,22,23). Esses anciãos representavam as congregações das quais faziam parte, havendo sido eleitos pelos próprios irmãos de cada congregação para representá-la junto aos apóstolos. Ora, já havia naquela época dezenas de pequenas congregações em Jerusalém, e para cada uma delas um ancião ou mais. Sendo assim, um ancião tinha a função de representar a sua congregação, mas nunca o direito de exercer autoridade sobre os irmãos. Isso é lembrado por Paulo e Pedro nas seguintes passagens, onde destacamos alguns trechos:
“E [Paulo] de Mileto mandou a Éfeso, a chamar os anciãos [πρεσβύτερος, presbýteros] da igreja. E, logo que chegaram junto dele, disse-lhes: Vós bem sabeis, desde o primeiro dia em que entrei na Ásia, como em todo esse tempo me portei no meio de vós, servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e provações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram (...) Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus. (...) Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos [supervisores], para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue. Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho; e que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas [distorcidas], para atraírem os discípulos após si. Portanto, vigiai, lembrando-vos de que durante três anos, não cessei, noite e dia, de admoestar com lágrimas a cada um de vós. Agora, pois, irmãos, encomendo-vos a Deus e à palavra da sua graça; a ele que é poderoso para vos edificar e dar herança entre todos os santificados.”
Atos 20:17-19,24,28-32
“Aos presbíteros [πρεσβύτερος, presbýteros], que estão entre vós, admoesto eu, que sou também presbítero com eles [συμπρεσβύτερος, sumpresbýteros: co-ancião], e testemunha das aflições de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória. Semelhantemente vós jovens, sede sujeitos aos anciãos; e sede todos sujeitos uns aos outros, e revesti-vos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes.”
1 Pedro 5:1-5
A função do ancião/presbítero
As referências acima nos revelam que os anciãos, ou presbíteros, não exerciam domínio sobre os demais irmãos, agindo como líderes na igreja, mas os influenciavam positivamente através do seu bom exemplo de fidelidade a Cristo. Por serem convertidos há mais tempo, os anciãos eram vistos pela congregação como modelos a serem seguidos, mas não como chefes de uma comunidade.4 Sabemos que o termo presbýteros não era um título, pois ele nunca precede o nome de alguém nos escritos do Novo Testamento. Portanto, “presbítero” ou “ancião” era somente um modo para se mencionar os irmãos mais antigos em cada congregação que eram referenciais para outros irmãos. O governo que eles exerciam se dava através do exemplo — nunca da imposição.Escrito por Alan Capriles
Publicado em 15/11/2025